Sobram postes, faltam luzes: rodovias estaduais também estão sem manutenção, segundo DER

junho 23 2015
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Adaulto Rodrigues fecha as portas de seu horto, à beira da Via Light, na altura de Nilópolis, na Baixada, antes de escurecer. Postes de luz não faltam na rodovia, mas só alguns funcionam, e os moradores temem a violência que não para de crescer. A situação se repete em outras vias estaduais e também no Arco Metropolitano — via federal feita em parceria com o governo do estado e que tem 4.310 postes com placas de energia solar, como o EXTRA mostrou ontem.

De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio (DER-RJ), o órgão do governo do estado não tem verba para fazer a manutenção dos postes há dois meses.

— Ontem, voltei do supermercado à noite pela Via Light. Na parte de Nova Iguaçu, a iluminação funciona direito. Quando passamos a fronteira para Mesquita e Nilópolis, a situação muda — afirma Adaulto, de 53 anos.

Inaugurado há dois anos, o Arco Metropolitano, citado na ação contra Sérgio Cabral, ganhou postes modernos a um custo de R$ 22 mil cada — um total de R$ 96,7 milhões. Segundo o DER-RJ, é a única rodovia do estado que funciona com energia solar. A Prefeitura do Rio tem apenas três postes com sistema eólico e solar, em fase de teste, no Mirante da Prainha.

—Tem vários postes caríssimos que não acendem mais. Passar pelo Arco à noite é tarefa de doido, está muito perigoso — disse um morador de Japeri, que preferiu não se identificar.

Segundo a Secretaria estadual de Obras, que cuida da iluminação do Arco, “eventuais problemas com o sistema” estão cobertos pela garantia.

‘Tráfego não justifica poste’

O EXTRA mostrou ontem que o governo do estado instalou 4.310 postes no Arco Metropolitano, apesar de o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não prever iluminação em rodovias federais. Para o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, os postes de luz são importantes para a segurança, mas não precisavam ser instalados imediatamente.

— O governo do estado planejava uma ocupação intensa, o que não aconteceu. Hoje, o Arco não tem tráfego suficiente para justificar tantos postes de luz. Eles podiam ser colocados em outras vias — explicou Celestino.

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